Uma vitória à altura do Vasco



Que quarta meus amigos, que quarta! A Dona do Pedaço não acabava, consequentemente, a bola não rolava em São Januário. Quando, enfim, Maria da Paz decidiu sair da tela, começou um dos melhores jogos do Vasco neste ano. Logo aos 8 minutos do primeiro tempo, o menino Bruno Gomes, de apenas 18 anos, sem sentir o peso de uma camisa cheia de vitórias e tradição, arriscou um chute de fora da área e garantiu a abertura do placar. Emocionado, o menino, que ostentava a frieza de um veterano, se ajoelhou em campo e chorou, mostrou, naqueles segundos, as dores de uma trajetória cheia de incertezas, cheia de amigos deixados para trás, mas que recompensa os persistentes. Naquele momento, no ajoelhar de um menino emocionado com o tento, lembrei da máxima do presidente vascaíno Cyro Aranha: “Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”.


O Botafogo tentava se encontrar em campo, o Vasco parecia saber que só existia um resultado possível na noite de quarta, a vitória. Já que a noite era de heróis surpreendentes, os deuses da bola decidiram agir e dar o poder de decidir a partida a um jogador que é a síntese do improvável: Ribamar. Dez minutos após a nossa primeira bola tocar as redes, o atacante domina uma jogada de velocidade e, antes mesmo de adentrar a grande área, arrisca o chute. A pelota, capricha, trata de subir, surpreendendo o excelente goleiro Diego Cavalieri, e alcança a parte superior do gol. Ribamar, encarnado por um folha-seca, por um pernambucano, por um Evair, deixa as improbabilidades de lado e comemora o gol junto aos companheiros. Vasco 2 a 0 antes dos 20 minutos do primeiro tempo. Eu não lembrava de momento como esse desde o Carioca! Que saudade dessa tranquilidade. Que saudade de vencer ainda no primeiro tempo e não precisar administrar o jogo...


Cedo demais Guto.... cedo demais. Os deuses do futebol gostam da imprevisibilidade, eles tem senso de humor. Vendo a aparente tranquilidade vascaína, resolveu aprontar das suas. Uma tirada de bola errada de Henrique (mais uma) e escanteio. Quando vi a quantidade de jogadores na pequena área, imaginei que o Valentim tinha criado mais uma de suas jogadas ensaiadas. Na mosca. Cruzamento na pequena área, a defesa observa atônita. Ninguém sobe. Num esforço dos grandes, o goleiro vascaíno tenta alcançar a bola sem sucesso e o zagueiro substituto do Botafogo (mais um improvável) faz o gol. 2 a 1. Alguns impacientes culpam Fernando Miguel, outros a zaga. Eu culpo a necessidade dos deuses do futebol de se divertirem as nossas custas, vascaínos. Nós não temos sossego.


Conseguimos administrar os ímpetos botafoguenses até o final do jogo. Ainda houve gol anulado pois Rossi, em posição irregular, cruza para Pec completar caindo, na corrida. Além disso, a estreia do colombiano Guarín, nova estrela do plantel, que demonstrou inteligência nos passes, mas também que ainda está acima do peso. No mais, conquistamos mais 3 pontos, contra um rival que vinha de boa sequência contra nós. Chegamos aos 34 pontos, nos afastando da zona de rebaixamento e nos aproximando de um G6 que todos duvidavam (e ainda duvidam), mas principalmente, jogamos como o Vasco e isso ninguém pode nos tirar. Rumo a mares mais calmos e novos desafios. Que venham os colorados.

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