• Rodrigo Oliveira

Sobre responsabilidades

"Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes..." (Marx, em A ideologia alemã).

Para que o terraplanismo econômico e o fascismo se tornassem política de estado, inúmeros processos se desdobraram em nossa história política contemporânea. Dentre eles, a constante criminalização da política, em consonância com a judicialização da mesma, que foi levada a cabo pelos grandes conglomerados midiáticos - além de outras questões a serem abordadas. Em um país periférico, essencialmente cristão, a construção da narrativa, portanto, da ideologia, se dá de forma ainda mais agressiva e acelerada. A maior convergência entre Bolsonaro e a Rede Globo é a pauta econômica. Ela tinha tudo para ser grande aliada de Bolsonaro em virtude da agenda de destruição do Brasil. Um presidente burro e imbecil faz um mal danado pra maior emissora do país, tendo em vista que a Globo tem telenovelas, por exemplo, como produto extremamente comercializável pra diversos países, uma espécie de comoditties, logo, a condução do país por um psicopata, que eleva a insegurança e a instabilidade, não deveria existir. A Folha de São Paulo também é um dos veículos de comunicação com o qual o Bolsonarismo mais manifesta antipatia. A perseguição ao jornalismo, ainda que este seja um jornalismo imbuído de seu caráter burguês e liberal, é uma grande arma do Bolsonarismo, a fim de retroalimentar sua narrativa anti-mídia. No entanto, em diversos momentos a Folha de São Paulo soltou em seu folheto parecer favorável ao desmonte do estado e à barbárie proporcionada pelo sociopata, Paulo Guedes, a mais recente como forma de sobrevivência pós COVID-19. A cretinice não tem limites. Hoje esses veículos possuem um tratamento a altura daquilo que cultuaram, cultuam e acima de tudo, por aquilo que ajudaram a consolidar no imaginário popular. Vale tudo em defesa dos interesses econômicos, correto? Ora, em qual momento o Bolsonaro se mostrou razoável e com apreço aos valores democráticos? Subestimaram o monstro que alimentaram? Responsabilidade econômica


A Lava Jato (que só obteve prestígio graças ao trabalho desempenhado pelos meios de comunicação) teve como objetivo central neocolonizar a nossa economia e destruir as nossas forças produtivas. E assim foi feito: criminalização das empresas nacionais e, como consequência, desemprego de milhares de pessoas. Muitos economistas do país são parte do problema e da manutenção desse cenário. Desde sempre, a ideologia em prol das classes dominantes, em que adotam previsões estapafúrdias de crescimento do país e com políticas em direção oposta se fez presente. Fomentaram um receituário que prioriza cortes de gastos, ajuste fiscal, retirada de renda das famílias, reforma da previdência e privatizações. Esperavam o quê? Um crescimento a lá China? Miriam Leitão e Mônica de Bolle, entusiastas do receituário apontado acima, são exemplos que atualmente imploram pela revogação da EC 95 e pelo mínimo de investimento público. Estamos falando de responsabilidade. Em um mundo globalizado, estamos em constante luta política, não há espaço para ingenuidades e, acredite, não há ingenuidade alguma por parte dessa gente. É muito comum em decorrência de tudo que tem acontecido, inúmeras pessoas do campo popular endossarem esses veículos ou tais economistas como grandes aliadas no combate ao Bolsonarismo. Ledo engano, alguns veículos e figuras podem até ser aliados estrategicamente, porém, o seu posicionamento em favor da destruição do Brasil é muito claro. Jamais percamos o fio da história! Por fim, pouco importa se o Bolsonaro é truculento, até porque, historicamente, a violência e a truculência sempre foram aliadas dos governos dos liberais econômicos. A constatação é que, independente de qualquer coisa, o governo serve com maestria aos interesses do capital e condena milhares de pessoas à incerteza, à miséria e ao desemprego. Não dá pra dizer que o objetivo não foi atingido.

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