• Guto Correia

Por que a mídia odeia o Vasco?

É alarmante a quantidade de erros de arbitragem contra o Vasco. Mais preocupante ainda é o silencia da imprensa quanto ao assunto. Em 2019, apesar do “revolucionário” VAR, seguimos com a rotina de arbitragens tendenciosas, invertendo faltas, laterais ou mesmo fechando os olhos para infrações óbvias. Já foram tantos erros... Contra o Palmeiras, quando houve pênalti em Leandro Castan, contra o Grêmio, quando o árbitro encontrou uma falta no minuto anterior, no nascimento da jogada, contra o Corinthians, contra o Atlético Paranaense... e assim a lista cresce.


O mais incrível é que, mesmo após erros escandalosos, a imprensa se recusa a falar sobre o assunto, as vezes, indo contra as imagens para convencer o telespectador de que a reclamação é descabida. São poucas as vozes que fazem eco às reclamações da torcida. Veja, por exemplo, o último jogo contra o Corinthians, quando exposta a imagem do replay, o comentarista de arbitragem da Sportv se apressou a dizer que o zagueiro Werley, autor do gol erroneamente anulado, estava com o corpo a frente da zaga, sendo assim, em posição de impedimento. Depois, quando apresentadas as imagens do VAR que deflagravam o erro do juiz Ricardo Marques Ribeiro, o comentarista se calou e não mais tocou no assunto enquanto a transmissão corria.


Essa má vontade da mídia para com o verdadeiro time do povo não é de hoje. Se você perguntar aos mais antigos, poderá ouvir da simpatia que todos cultivavam pelo Vasco, inclusive de torcedores rivais.

Foi em 1980, que um vascaíno bonachão fez com que o time da virada deixasse de ser visto com simpatia. Eurico começou no Vasco muito antes, no final dos anos 60, quando passou a fazer parte do dia-a-dia do clube, tornando-se diretor de cadastro, só mais tarde, passou a se envolver com futebol. Foi há 39 anos que o então desconhecido assessor especial (título que tinha na gestão de Alberto Pires Ribeiro, 40º presidente do Vasco), se tornou representante do clube junto a FERJ. Tal cargo fez com que o dirigente tivesse poder político para barrar uma transferência de Roberto Dinamite, maior ídolo do Vasco, para o arquirrival e o trouxesse para São Januário, diretamente de Barcelona. Tal ação deu protagonismo político a Eurico Miranda que soube usar de maneira estratégica, se tornando a partir de então, um dos mais conhecidos e folclóricos dirigentes do futebol brasileiro.


A antipatia da mídia quanto ao Vasco começa aí. Pois o cartola, com mãos de ferro, dominava o time da cruz de malta. Foi brilhante e implacável, responsável por exemplo pela venda de placas de publicidade ao redor do campo em favor do time. A mídia, que transmitia os jogos, não perdoaria a falta de participação nesse novo lucro. Além das criações vanguardistas, o cartola não era o beija-mão que os canais de TV e os jornais da esperavam e, com isso, sua fama de impopular e antipático foi impulsionada. Fama essa deveras injusta dado que poucos são os profissionais do futebol que tem palavras menores que elogios para definir o dirigente. Mas a mídia jamais perdoaria alguém que não se ajoelha aos seus interesses.


Não se contentando a ser relegado a segundo time do Rio, Eurico batia de frente com diversos periódicos, questionava decisões da CBF que não beneficiasse a todos de maneira equilibrada e, dessa forma, garantia a sobrevivência do futebol raiz. Os times pequenos foram extremamente beneficiados por esse engajamento. Assim, nasceu o Clube dos 13, que Eurico liderou por grande parte da existência. E mais um motivo para a mídia cultivar a antipatia.


Foram várias as ações do cartola, como a venda de Romário ao PSV, a formação dos incríveis times de 97/98/99/00 e, também, alguns episódios embaraçosos, como o fatídico “assalto” enquanto saía com a renda de um clássico com o Flamengo. No entanto, o ápice do atrito se deu na final do brasileiro de 2000, quando São Januário, abarrotado de torcedores sofreu grande revés com a queda da grade que deixou 168 feridos. No episódio em questão, Eurico queria que, após o socorro dos feridos, o jogo fosse retomado, enquanto a emissora de TV pressionava para que o jogo fosse suspenso para, segundo Miranda, seguir com a programação normal. Por fim, a queda de braço foi vencida pela rede Globo. Jogo remarcado para janeiro do ano seguinte.


Então, o Vasco fechava treinos em retaliação e impedia o acesso das Tvs a informações. Quando o segundo jogo começa, para a surpresa geral, Vasco entra em campo com uma homenagem a outra emissora, exibindo a logo do SBT na área mais nobre da camisa. Essa foi a gota d’água. A partir daí, a emissora de tudo fazia para garantir a saída do dirigente e prejudicar time vascaíno.


A campanha ridicularizando um dos times mais vencedores das Américas durou anos e funcionou. O Vasco, habituado a uma rotina de títulos se habituou a dificuldades, devido ao sufocamento financeiro promovido direta e indiretamente pela emissora. Eurico se tornou persona non grata e também um sinônimo de corrupção no futebol. Tal sufocamento culminou no rebaixamento, 8 anos após a final com a camisa do SBT e a derrota do dirigente nas eleições do clube. A entrada de um ex-ídolo na presidência do Vasco deveria render bons frutos e de fato o fez, ao menos na primeira gestão. Depois, a cobiça subiu à cabeça de Roberto Dinamite, que achou que conseguiria administrar tudo sozinho. O que nos rendeu um segundo rebaixamento e deixou o terreno propício para a volta de Eurico. Com a volta do homem do charuto, também voltou o sufocamento e, em 2015, mais um rebaixamento.


Desde então, muito por conta dessa campanha massiva, o Vasco perdeu o posto de time simpático e passou a ser detestado por torcedores Brasil a fora. Agora, depois de 3 rebaixamentos, presenciamos um apequenamento do clube, consequência disso é a falta de vergonha dos árbitros ao puxar a sardinha e beneficiar os (outros) grandes times que enfrentamos, enquanto os jornais, ao invés de servir seu papel fundamental que é de informar, preferem fazer troça de um gigante. É necessário fincarmos nossos pés e lembrarmos aos convenientemente esquecidos da grandeza da cruz de malta.


O gigante precisa despertar!


Por Guto Correia, Jornalista apaixonado pelo Vasco e por futebol. Esquerdista de família nada Tradicional. "Ele Nunca!!"

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