Os injustiçados





Foi na Copa de 50, em pleno Maracanã, que um dos maiores goleiros do Brasil foi obrigado não apenas a fazer defesas elásticas e evitar os tentos, mas também a levar o peso do mundo nas costas. Após campanha brilhante, nas finais as 2 bolas que entraram, baliza adentro, contra o Brasil, foram capazes de selar o destino não só de Barbosa, mas de todos os arqueiros negros. Afinal, quem nunca ouviu, durante as décadas de 80 ou 90, a frase racista que o negro, caso fosse goleiro, estava fadado ao insucesso?

Pois bem, o leitor incauto pode acreditar que essa será uma coluna versando sobre as injustiças sociais sofridas pelos craques do Brasil e particularmente do Vasco da Gama. No entanto, informo desde já, que esse é um texto dedicado aos marginais da bola, jogadores que, por birra da torcida ou por mera injustiça são condenados ao ostracismo da bola. Quero, em particular, falar daqueles que, ainda hoje, envergam a cruz de malta no peito, com orgulho, e, mesmo assim, sofrem com a perseguição da arquibancada.


O elenco atual do Vasco é limitado, sabemos todos. Contudo, é inegável a impressionante geração de talentos advindos da base e que, apesar da pouca idade, são capazes de entender a responsabilidade que é ter São Januário como a própria casa. Lucão, Jordi, Alexander, Cayo Tenório, Ricardo Graça, Miranda, Ulisses, Henrique e Alexandre, isso apenas para falarmos da nossa defesa. O torcedor frequentador de estádio, inflará o peito a falar desses todos... menos de Henrique. Mas, por quê?

Henrique é menino, ao menos para mim (já sobrevivi há quase quatro décadas), dedicado sempre, por mais que, por vezes a bola, traiçoeira que é, lhe impeça de desenvolver as jogadas que desenhou na cabeça. O jovem lateral esquerda, durante muito tempo, na base, foi o titular do meio-campo. Não estava acostumado a marcar, ou ser espremido entre adversário e a linha lateral. Dado a necessidade de um jogador de lado, entendeu que sua maior chance de lograr como jogador de futebol seria a migração. Assim foi. Segue se dedicando como poucos mesmo que, ainda na preleção, seja hostilizado pela arquibancada.


Nesse início de ano, nada diferente. Eu estava no Vasco e Bangu, primeiro jogo da temporada, e, assim que tocou na bola, Henrique recebeu uma vaia uníssona dos arquibaldos, sem qualquer preocupação com a justiça. Passados 3 meses do jogo, Henrique era (antes da parada pela pandemia) um dos raros pontos de equilíbrio do plantel de Abel.






ara a composição do elenco, e assim deve ser tratado.


Por fim, espero que um tratamento justo seja dedicado não só a Henrique, mas também a Marrony e a Fernando Miguel, os atuais injustiçados da Colina.

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