• Rodrigo Oliveira

O Brazil está matando o Brasil: a cultura brasileira e o distanciamento das massas.

São muitos os problemas em 2019, sejam eles pessoais ou aqueles provenientes das escolhas de uma sociedade profundamente adoecida. O Brasil sempre me emocionou, me encantou; nem sempre a sociedade brasileira, principalmente quando se fala da classe média alta, completamente mesquinha, elitista e vira-lata. Digo do Brasil que assassina até hoje seus povos originários e do país cujo a riqueza cultural é indiscutível.


Thompson, renomado historiador marxista é um dos idealizadores e expoentes de uma corrente de análise histórica denominada "A história vista de baixo". Inúmeros  historiadores ingleses se juntaram a ele para elaborar um método que consiste em  produzir conhecimento histórico a partir do prisma dos oprimidos. A cultura de modo generalizado, tem esse papel de colaborar para o nascimento e consolidação de identidades, para além do despertar do sentimento de pertencimento.


A realidade brasileira forjada em resquícios escravistas, aqui ela desempenhou essa função ainda com mais afinco, possibilitando a construção de laços de sociabilidade e obviamente, também colaborou para as mortes simbólicas, dentro de contextos históricos, íntimos a escravidão e suas formas de segregação de determinada parcela da sociedade. A perseguição ao samba e as macumbas que historicamente são elementos fomentados pelos subalternizados, de grande maioria, pobres e negros, evidencia o que quero dizer.


A solidificação do sistema capitalista e a visão neoliberal - ainda mais agressiva na periferia do mundo,  viabiliza o amadurecimento de uma mentalidade estritamente comercial,  distanciando as manifestações culturais de seu teor citado no começo do texto. O futebol, como exemplo contemporâneo é reflexo dessa lógica. Se desdobraram processos de elitização, que tem por objetivo, o afastamento das camadas populares e a elitização daquilo que sempre foi movido e reinventado pela classe trabalhadora do Brasil.



Por fim, no ano de 2018, a população elegeu aquele que odeia o país, sagrou vencedor seu reflexo de mediocridade, inferioridade, corroborando ainda mais para a destruição daquilo que já se encontra em estágio terminal. Aldir Blanc estava certo: o Brazil está matando o Brasil.

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