Moro e o eterno cai não cai (ou mantenha os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda)


O Paladino do pau oco, Sérgio Moro segue em franco embate com o presidente Jair Bolsonaro e sua familícia. Logo que eleito, sabendo da necessidade de melhorar sua reputação, dado as descobertas de Val do Açaí e, posteriormente, o laranjal do PSL, Bolsonaro convidou Sérgio Moro, o juiz que escolhe lado, para ser o super ministro da justiça. A época, segundo o então juizeco e o recém eleito presidente, uma vez ministro, Moro teria plenos poderes e autonomia para trabalhar como bem entendesse. Como o que Bolsonaro fala não se escreve, correndo o risco do presidente refutar aquilo que havia falado, antes mesmo de se colocar o ponto final na frase, Moro logo teve que enfrentar instabilidade. Bolsonaro por pouco não voltou atrás e retirou o título de "super" ministro do juiz parcial. Foi durante reunião com secretários estaduais que o presidente, para tirar o protagonismo que o ministro tinha até o momento, orquestrou uma maneira para enfraquecê-lo, ameaçando criar o ministério da segurança. Moro, como sempre, não transpareceu qualquer indício de crise. Bolsonaro seguiu dando, por diversas vezes, indiretas para o ministro. Logo, quando a crise gerada pelo terraplanismo do presidente frente ao coronavírus estourou, em meados de março, o presidente disse a interlocutores sobre Moro. Disse que o ministro era egoísta e que não estava ajudando o governo a combater as medidas restritivas impostas pelos estados para o combate a pandemia. Moro seguiu se fingindo de morto e não retrucou os boatos que corriam nos corredores do palácio. Agora, frente a uma ameaça a própria família, afinal, segundo a deputada Erika Kokay, uma equipe da PF que investigava Fake News chegou ao gabinete do ódio (alcunha dada pela também deputada Joice Hasselmann para o grupo comandado pelos filhos do presidente que se utilizam de fake news e robôs para promover ataques a inimigos através das redes sociais), Bolsonaro mais uma vez ameaça a autonomia de Moro. Dessa vez, quer passar por cima do ministro para despedir o Diretor da PF e garantir que a investigação não chegue a seus filhos, principalmente o muito manchado Flávio, que já responde por esquema de rachadinha enquanto vereador no Rio de Janeiro. Diante da situação, Moro num raro arrobo de coragem, ameaçou entregar o cargo caso o diretor da PF, Maurício Valeixo fosse demitido pelo presidente. Bolsonaro,a priori, recuou, mas por quê? Enfim chegamos ao cerne do artigo (desculpem-me sou deveras prolixo). Moro, hoje, tem maior aprovação para uma eventual corrida presencial, em 2022, que Bolsonaro. O juiz ainda surfa a onda da Lava Jato. Por isso, Bolsonaro, no afã de tirar mais essa peça do tabuleiro, o mantém próximo, com rédea curta. O presidente entende que parte das poucas boas avaliações que o governo tem advém do fato de Moro fazer parte da equipe ministerial e sabe que numa eventual corrida eleitoral Moro e Bolsonaro se canibalizariam, afinal as bases de votos são bem similares. Por outro lado, manter Moro tão próximo é uma maneira de evitar seu crescimento enquanto político. Além disso, o presidente já disse para quem quiser ouvir que, uma vez que abra a vaga do STF, indicará o ministro para preenche-la, fazendo o que julga ser uma tacada de mestre, afinal, de uma só vez, conseguiria um aliado no Superior Tribunal Federal e ainda eliminaria um forte candidato a presidência em 2022. Agora, devemos observar com afinco, o que pesará mais na balança desregulada de Bolsonaro? A possibilidade de seus filhos serem pegos por disseminação de notícias falsas e, consequentemente, ter sua frágil base de apoio abalada, ou habilitar um dos maiores adversários que ele pode ter?

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