• Rodrigo Oliveira

Em defesa de Paulo Freire e das Universidades Públicas: não ao projeto Brazil-Fazenda.

No último 02 de maio, completaram-se 22 anos sem Paulo Freire. Se foi vítima de uma insuficiência cardíaca, mas, uma das maiores dores é ver seu nome na boca de canalhas que sequer o leram. Freire é referência a nível mundial em qualquer âmbito da educação, seja pelo seu método de alfabetização, ou, pelo seu trabalho em propor uma pedagogia emancipadora, que visava a reconstrução do indivíduo e a libertação de suas próprias amarras. 


Como reconhecimento a sua enorme contribuição, Paulo Freire recebeu o título de doutor Honoris Causa por vinte e sete universidades. Por seus trabalhos na área educacional, recebeu, entre outros, os seguintes prêmios: Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento (Bélgica, 1980); Prêmio UNESCO da Educação para a Paz (1986) e Prêmio Andres Belloda Organização dos Estados Americanos, como Educador do Continentes (1992).


Os que atacam a educação pública e cortam verbas por "balbúrdia" colaboram para o projeto das classes dominantes de que o Brasil seja apenas um exportador de soja e não produza conhecimento científico - pilar de qualquer país soberano. Para além disso, sustentam a visão mercadológica da educação em prol dos empresários da área e potencializam assim, a desigualdade até mesmo nas relações dentro de sala, mantendo a estrutura de uma educação bancária, tão criticada por Freire.


As universidades públicas devem ser defendidas e criticadas com a viabilização de uma melhora e não um retrocesso como o promovido pelos serviçais da elite brasileira. Ainda que durante o petismo ocorreram políticas de inclusão, as mesmas universidades podem e devem ser criticadas por não conseguirem abrigar muito dos filhos da classe trabalhadora brasileira, tendo em vista que, uma boa parte desses trabalham, para além, de sua vida pessoal - a fábula da inclusão não pode servir para mascarar a realidade dos trabalhadores brasileiros.


Os detratores de Freire e os destruidores da educação pública, o fazem com a consciência que querem criar mão de obra barata para exploração fácil no capitalismo. Não se trata apenas de um projeto que tem por objetivo não formar seres pensantes, mas, que alimenta a manutenção da ordem capitalista e de suas mais variadas formas de exploração. 


Paulo Freire sempre será revolucionário e reconhecido mundialmente. Exceto, por aqueles que elegeram o reflexo de sua mediocridade. Criticam-no aqueles que desconhecem a história. Acusam-no aqueles que se esquecem da própria história.


O lado que aqui evocamos é o da inteligência. É o lado da pesquisa, da ciência e da educação como ferramenta emancipadora da sociedade e não como produto a fim de sustentar o projeto Brazil-Fazenda.


"Nenhuma pedagogia que seja verdadeiramente libertadora pode permanecer distante do oprimido, tratando-os como infelizes e apresentando-os aos seus modelos de emulação entre os opressores. Os oprimidos devem ser o seu próprio exemplo na luta pela sua redenção."

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