• Rodrigo Oliveira

Chico Buarque e o Brazil de hoje

Chico Buarque se sagrou vencedor do Prêmio de Camões, mais um dos grandes feito deste consagrado artista. O júri que concedeu o título a Chico alegou o motivo: "contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa". Em outro momento, evoquei como a cultura possibilita a sociabilidade e fomenta a construção de identidades e reflexões.


A obra de Chico se consolidou a partir de grande teor crítico e político que o tornou grandioso. Durante a ditadura militar empresarial brasileira, foi possível verificar muito de suas músicas retratando a voz dos trabalhadores/estudantes perseguidos, tendo até seu exílio cantado no clássico "Meu caro amigo." Um artista do quilate de Chico jamais se posicionaria ao lado daqueles que incitam ódio a professores e artistas como ele.


Chico foi a Geni de nosso tempo, ao ser hostilizado e perseguido até os dias atuais pelas suas posições políticas; a ascensão do antipetismo neofascista potencializado pela classe média brasileira em consonância com os que criminalizaram a política (grande mídia, judiciário burguês) e figuras como Lula, viabilizaram tais fatos. Afinal, o linchamento de figuras alinhadas a esquerda é ferramenta do Bolsonarismo.


O atual chefe de estado do Brazil não parabenizou Chico, em contraposição ao presidente Português, por exemplo, e ao próprio Lula, que o fez através de carta. O ódio contra Chico e aquilo legitimamente brasileiro, diz muito mais a respeito de seus detratores e aos senhores que a milícia neopentecostal serve.


A caravana da mediocridade, da inferioridade e da burrice se tornaram política de estado. 


"Tem que bater, tem que matar engrossa a gritaria, filha do medo a raiva é mãe da covardia."

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