• Rodrigo Oliveira

Carlos Marighella e o Revisionismo Histórico como política do Bolsonarismo.

O lançamento do filme de Wagner Moura, "Marighella" chega no momento em que o Brasil vive um processo de retardamento coletivo. Com uma onda anti intectual crescente, o revisionismo histórico chega com força como ferramenta do Bolsonarismo. Se nega a escravidão, a ditadura militar civil empresarial brasileira, afirma-se que o nazismo é de esquerda e obviamente, há um aumento da marginalização e processo de esquecimento de figuras que lutaram pela classe trabalhadora. Carlos Marighella tinha como tática política o acúmulo de recursos e de força. Desta forma, a ALN e o guerrilheiro que incendiou o mundo, se valia de uma ótica revolucionária a fim de derrotar a ditadura militar, ações diretas como assaltos a bancos, sequestro de embaixador (que culminou na libertação de inúmeros presos políticos), eram parte da estratégia, como o mesmo designa no Manual do Guerrilheiro Urbano:


"O guerrilheiro urbano é um homem que luta contra uma ditadura militar com armas, utilizando métodos não convencionais. Um revolucionário político e um patriota ardente, ele é um lutador pela libertação de seu país, um amigo de sua gente e da liberdade." 


Até mesmo a cor de Marighella se tornou discussão, manifestando um processo também presente na história do pais: o embranquecimento. Para além disso, é válido reafirmar que Marighella era revolucionário com formação teórica e disciplina, não um aventureiro, de maneira alguma um terrorista. Historicamente, o estado burguês moderno desqualifica os que lutam como terrorista, qualificando assim todo aquele que coloca em risco a manutenção do status quo. De maneira contemporânea, a acepção de ditador é dada a aqueles que se opõe aos interesses do imperialismo.


A classe média do Brasil é uma das reprodutoras desses estigmas com a finalidade justamente de demonização do campo popular. Nessa hora, eles se tornam defensores da democracia ao evocar sobre a "ditadura cubana"; se tornam humanistas ao clamarem por direitos humanos na "ditadura da Venezuela." Enquanto isso, a democracia brasileira através de seu braço repressivo, assassina um homem negro com 80 tiros. A democracia do Brasil se volta contra o ensino público e a autonomia dos docentes; os democratas brasileiras entregam o pré sal e prendem uma liderança popular sem provas. A democracia brasileira através de sua polícia assassina diariamente pretos e pobres. 


Ditadura são os outros. Democracia somos nós.



Viva a memória de Marighella, viva aos que lutam.

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