• Rodrigo Oliveira

Beth Carvalho: da luta ao luto.

A madrinha do samba morreu fisicamente. Beth Carvalho, oriunda de uma família de classe alta da Zona Sul do Rio de Janeiro, não era uma simples voz/ou compositora brasileira, e sim, uma esclarecida politicamente e declaradamente socialista. Apelidada de madrinha, compreendeu e viveu a revolução que partia do Cacique de Ramos, com o modo diferente de se tocar samba, como a introdução do banjo; Beth abraçou o movimento e levou tudo para seu disco, colaborando para a revelação de artistas como Zeca Pagodinho & Luiz Carlos da Vila.

Sua relação com a política brasileira, parte do princípio em que seu pai, foi um aguerrido advogado perseguido pela ditadura civil militar empresarial. Beth entendia que o samba se tratava de uma manifestação cultural vivida e reinventada pela classe trabalhadora brasileira. Em diversas entrevistas enfatizou que o samba é do "povão" e de esquerda, denunciou que a CIA queria acabar com o samba como parte de seu projeto de dominação que se abrange também a cultura e se posicionou ao lado de Brizola, Fidel Castro e Hugo Chávez. O socialismo para ela era o único modelo que pode salvar o futuro da humanidade. A voz de Beth seguirá eternizada nos botequins, nas esquinas e na vida de muitos trabalhadores do nosso Brasil. Simbolicamente, ela foi enterrada no dia internacional do trabalhador, descansou defendendo os nossos e será celebrada para sempre como uma bandeira da nossa luta. Beth, a CIA não acabará com o samba e nem destruirá a grandiosa cultura brasileira! Lutaremos e espalharemos o seu legado. Viva Beth Carvalho! Viva a classe trabalhadora brasileira!


  • "Tu fostes a madrinha do samba Que agoniza e não morre Ao lado dos oprimidos Ecoa tua eterna voz a cantar... Eterno sinônimo da luta Hoje a descansar. Teu legado a perpetuar Prometemos lhe honrar Se foi lutando, sorrindo Corra e olhe o céu, não há dúvidas Que no dia de hoje ele fica mais lindo."


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