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A VITÓRIA DO DESEJO REVOLUCIONÁRIO CONTRA O CAPITAL




O exemplo da vitória cubana sobre o império é um dos maiores casos de luta por soberania e dignidade de um povo explorado por agentes externos. Que o inimigo era um Estado sob o comando de um facínora, isso é facilmente reconhecido, mas é fundamental ressaltar que a façanha revolucionária na pequena ilha de Cuba vai muito além de lutar contra um ditador à serviço do capital. Grandes criminosos tomaram a cena do crime no Estados Unidos a partir da década de 40, a busca por uma vida de sucesso na terra do Tio Sam tem seu alcance feito por imigrantes europeus de uma forma até então jamais vista. Dentre muitas de suas atividades estavam o peculiar ramo dos jogos de azar, os cassinos. Era a máfia italiana, essa que passava a controlar políticos e as autoridades do país enquanto alavancava seus negócios ilegais. Em especial os cassinos que movimentavam grande parte do lucro contavam com grandes estruturas e espetáculos. Meyer Lansky um grande acionista no comércio de jogos, russo porém associado aos ítalo-americanos, teve a ideia de fazer no Caribe o maior centro de jogatina do mundo. Reconhecido oficialmente pela cúpula de Washington em 1952, Fulgêncio Batista então ditador cubano rapidamente foi procurado pelos novos investidores de sujos negócios. Um episódio em especial chama a atenção pela opulência, Carmen Miranda que se apresentava num famoso cassino de Meyer Lansky, o Colonial Inn, pediu para que lhe trouxesse instrumentos musicais cubanos que certa vez havia visto numa loja em Havana. Segundo ela, apenas os cubanos possuíam materiais musicais de tamanha qualidade. O mafioso, sem pestanejar, então, viaja até a capital para lhe comprar os objetos. Com a transferência do polo de jogos de azar para Cuba, a máfia ganha a confiança da ditadura e passa a ter espaço na legislação cubana, arbitra o jogo político dentro do país contando com uma cooperação internacional da CIA e do Governo Americano e, com isso, torna a atividade criminosa uma atividade bilionária, dentro da região. Com a corrupção marcante desse período, as pressões sobre o governo de Batista crescem, anos se passam, batalhas são travadas enquanto lucram os criminosos com a miséria dos cubanos, e o movimento revolucionário liderado por Fidel Castro ganha cada vez mais força e sua vitória era questão de tempo. Em Janeiro de 1959, uma página na história do povo Latino-Americano é contada com sacrifício e sangue daqueles que lutavam pela soberania de sua terra, a Revolução Cubana que pela primeira vez emancipou seus cidadãos da fome, da doença, da prostituição e da falta de esperança. As operações criminosas que antes ocorriam sobre o solo cubano agora se deslocam de vez para o novo centro de Las Vegas, com a permissividade do EUA para tal atividade. Fica clara, portanto, a diferença entre o tratamento dado pelos rebeldes cubanos para com o crime que afundava seu país e as autoridades americanas que tornaram uma grande atração. A lição que Cuba deu ao mundo é sobre o desejo revolucionário que se sobrepõe ao capital por meio da ruptura com o velho sistema, trazendo um novo mundo com maior igualdade e direitos, e sobretudo dignidade. Talvez os capangas da máfia recebessem grandes quantias para lutar em prol de uma atividade criminosa, os revolucionários não, e isso não os impediu de vencerem, e venceram. Por Guilherme Carneiro

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