• Vascomunistas

A União Brasil-Portugal


Neste artigo, faremos uma breve análise e contemplação da atmosfera presente na região das comunidades populares do Centro do Rio que dividem uma rica história com a fundação do Club de Regatas Vasco da Gama. Para que possamos fazer a leitura geral dos acontecimentos que entrelaçam o Club com o povo negro e operário é necessário a observação local dos fatos ocorridos em um determinado período. Na segunda metade do século XIX, localizada na Zona Portuária do Rio de Janeiro, o destino dos negros por uma vida melhor e menos opressora pós-escravidão é na maior comunidade afro-brasileira, que mantinha seu próprio senso de comunidade, de ajuda entre seus semelhantes e com isso tentava transformar o grande cenário de violência em uma nova realidade com maior esperança. É a chamada Pequena África, que deixa de ser o local de chegada de escravos para as chamadas "Casa de Engorda" onde eram alocados até que pudessem ser vendidos, para se tornar um espaço de cultura, abrigo e que posteriormente entregaria para a população negra, sua identidade cultural. Organizado em comunidades quilombolas onde eram localizados os antigos casarões, estes passam a tomar a forma de cortiços e casas. É nessa região que marcava o território como de grande influência para religiões de matriz africana e para a música assim produzida na Pedra do Sal pelo choro, o samba e o maxixe, a pequena comunidade logo se transforma em um local onde frequentavam importantes figuras como João da Baiana, Donga, Heitor dos Prazeres e Pixinguinha. Dentro de seu próprio contexto, a cidade do Rio de Janeiro também serviu de alvo para uma outra classe de pessoas que buscavam melhores condições, já que essa concentrava uma economia mais dinâmica e consequentemente maior empregabilidade. Desde a Independência, a cidade (principalmente a capital) recebe a maior parte dos imigrantes vindos da Europa, são os portugueses vindos de aldeias no interior de Portugal, pelo fim do século XIX a maioria destes predominantemente homens, chegam sem nenhum grau de escolaridade e em situação de extrema pobreza. Estes disputavam lado a lado as vagas de trabalho com os negros na área central da cidade, dessa forma, participavam do mercado ativo assim como os brasileiros, recebendo baixíssimos salários e longas jornadas de trabalho. Os portugueses que residiam na cidade estavam dentro do estrato social mais baixo junto com os negros, estes dois dividiam os mesmos espaços e frequentemente até as mesmas moradias, compartilhando assim a vivência no Rio de Janeiro. É no final do século XIX, que surgem alguns jovens determinados a criar um grupo pelo desejo de praticar seu esporte preferido (o Remo), movidos contra a insatisfação de só poderem remar em clubes localizados no eixo Zona Sul ou Gragoatá, se reunem num antigo casarão na Rua da Saúde, 293 (hoje Sacadura Cabral, 345), mesma localidade onde viviam todos os negros na comunidade da Pequena África, próximo à Pedra do Sal, e por fim onde também se abrigavam os trabalhadores portugueses. Nasce sob a boemia da cidade carioca, do samba, aos que desejavam uma vida melhor, aquele que lutou pela igualdade da cor e da justiça social, é o início de um Club que mudaria a história do esporte brasileiro, o primeiro a conquistar a América, o Club de Regatas Vasco da Gama de tantas lutas e glórias, mostrou que não apenas no Futebol, mas como cumpridor de seu dever cívico és um traço de união Brasil-Portugal. Por Guilherme Carneiro

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