A tempestade perfeita


Quiseram o(s) deus(es), ou a deusa, ou o acaso (dependendo do que você acredita) que Luiz Henrique Mandetta caísse no dia 16 de abril de 2020, exatos quatro anos após uma postagem com o famigerado Tchau Querida (no dia seguinte, 17/04/2016, a Câmara dos Deputados aprovava o impeachment de Dilma). A saída do ministro da saúde do governo é motivo para pouca comemoração, infelizmente. Afinal, o mesmo resistia aos desmandos insanos do comandante em chefe e seguia ao lado da comunidade científica, solicitando o isolamento. Você deve estar se perguntando como um primeiro parágrafo como esse, pode estar numa página que se intitula comunista. Pois bem, hoje, infelizmente, travamos não mais uma batalha política contra a direita. Travamos uma guerra contra o obscurantismo. Tamanho fora o desserviço da campanha mediática para viabilizar o golpe, que potencializou algo que acreditávamos estar morto, o fascismo. Os conglomerados de comunicação brasileiros, no afã de aumentar os benefícios para as classes mais abastadas e, consequentemente diminuir os direitos dos trabalhadores, criou a tempestade perfeita. Não que tal fórmula seja novidade, afinal, conhecemos esse tipo de ensaio de outros carnavais, ou primeiro de abril. A equação é simples: multiplica-se o real problema da corrupção por 10, 1000. Cria-se, portanto um ambiente instável. Aliado a isso, insufla-se o sentimento patriótico e cria-se uma ficção que envolva a esquerda, como o Brasil se tornará uma ditadura comunista e voi lá... eis a receita do golpe. O que a mídia não contava era que o brasileiro não estava preparado para os anos progressistas que os governos do PT proporcionaram (digo progressista pois há quem discorde inclusive que foi um governo de esquerda). O brasileiro médio, apesar de escravo, tem uma vontade imensa de ser senhor de engenho e tem um tesão absurdo em ver que há quem se encontre em pior situação que ele. Isso, portanto, fez com que o discurso liberal que a grande mídia gostaria que assumisse o poder, fosse substituído por uma saudade dos tempos de chumbo e, nada melhor que um capitão que homenageia torturador para isso. Explicado isso, voltamos ao assunto do dia, a queda de Mandetta. Bolsonaro, concentrador de poder que é, entende que seus ministros, para realizar qualquer ação, precisam pedir aprovação. O presidente parece ter confundido o cargo, achou que se tornaria uma espécie de Don Corleone. Não bastasse o desejo de ter a mão beijada por todos, o comandante em chefe é negacionista, vai na contramão de tudo o que é razoável e, principalmente, contra a ciência. Tal postura ficou evidente quando, no início do ano, demitiu o então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, devido a estudo apresentado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que evidenciavam o aumento do desmatamento na Amazônia. Anteriormente, durante viagem para Israel, em visita ao museu do holocausto, em mais um ataque de sandices, afirmou que o nazismo era de esquerda. Agora, contra tudo o que a OMS, os cientistas e os de mente sã afirmam, prega o fim da quarentena para a adoção de um isolamento vertical. Além disso, prega a utilização de um remédio sem comprovação de eficácia para o combate à pandemia. Mandetta nem de longe é um exemplo. Foi a favor do irresponsável golpe e fez coro para, de maneira baixa, atacar a presidenta Dilma Roussef. No entanto, dado a escassez de inteligência e razoabilidade no governo, era uma gota d’água no meio do deserto. Agora, veremos mais loucuras e decisões que podem vir a lesar a todos. Isso tudo porque preferiram um capitão com delírios de grandeza a um professor universitário.

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