• Rodrigo Oliveira

A Líbia, o Chile & o Brazil de hoje: é o capitalismo, estúpido

O dia 20/10/2011 ficou marcado pela captura e assassinato de Kadhafi. A Líbia de Kadhafi, era o país africano com maior IDH do continente e claro, tinha o petróleo como uma das grandes riquezas do país concentrado na mão de empresas nacionais, impedindo a espoliação por parte de inúmeras multinacionais. A coalizão entre o maior grupo terrorista do mundo, os Estados Unidos e potências centrais européias, destruíram mais um país em prol dos interesses do capital. É válido ressaltar, que o golpe na Líbia explorou os adventos tecnológicos e inclusive, transmitiu ao vivo através de inúmeras câmeras o assassinato de Kadhafi, que foi escurraçado e metralhado.


A derrubada de Kadhafi não se deu da noite pro dia. Levaram mais de seis meses destruindo tudo, pontes, dutos de fornecimento de água, redes elétricas, estradas, fomentando milícias e grupos guerrilheiros, até a captura da liderança líbia. A empoderada Hilary Clinton enquanto secretária de Estado, foi uma das responsáveis por empoderar (sic.) os terroristas e apoiar suas ações. O democrata Obama, igualmente. A Líbia hoje é devastada e em 2017 ficou comprovado que o tráfico de escravos se tornou a regra.


Se voltarmos ao século passado, a  América Latina durante o contexto de Guerra Fria, foi um grande laboratório para o capitalismo.  Houve um claro redesenhamento na geopolítica da região a fim de minar governos progressistas e inúmeros países como Brasil, Argentina, Peru, já viviam sob a égide de regimes militares. O neoliberalismo se trata de uma lógica predominante no capitalismo, são um conjunto de medidas que visa aumentar a participação do setor privado na economia e reduzir o papel do Estado. Muitas dessas medidas como as privatizações, jamais conseguiriam ser chancelados através do voto popular, diante disso acabam por se desdobrar processos que legitimem essa política econômica.


O 11 de setembro Chileno, em especial, por ter sido uma das  experiências mais sangrentas do Continente, possibilitou comprovar como a violência enquanto política de Estado é fundamental para os governos dos liberais econômicos. O desaparecimento e a tortura do regime Pinochetista demonstra que tais práticas são essenciais para a implementação de um programa econômico austericida sem que exista algum tipo de reação por parte da sociedade civil.


De maneira mais aprofundada a economista canadense, Klein, define isso como uma política de choque: “a doutrina do choque como todas as doutrinas é uma filosofia de poder. É uma filosofia sobre como conseguir seus próprios objetivos políticos e econômicos. É uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque pode ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’."(Klein, 2007).

A população chilena nesse exato momento está se rebelando contra as políticas neoliberais. Lá, o sistema de água é inteiramente privatizado, a previdência é privada - modelo que inclusive serviu de exemplo para o Paulo Guedes, e obviamente, a qualidade de vida da população se torna cada vez mais paupérrima. Como age o governo chileno? Os reprimindo.

Atual presidente chileno, Piñera equiparado a Pinochet.
Atual presidente chileno, Piñera equiparado a Pinochet (ídolo de Bolsonaro e Guedes).

O capital jamais abdicará da truculência para satisfazer e reproduzir seus maiores interesses, seja como foi feito com Kadhafi, Allende ou como minuciosamente o culto a violência de Bolsonaro e até mesmo a política higienista de Witzel, também pavimentam e facilitam o caminho para a aplicação de um pacote de maldades, que tende cada vez mais a aprofundar a dependência e depreciar a renda das famílias brasileiras.


Fecho esse artigo com um escrito de 1991 de Leonel Brizola: "a onda do neoliberalismo é o espasmo final de um modelo inviável, fracassado, incompatível com uma vida digna para nosso povo e com a nossa própria existência como nação."
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