• Rodrigo Oliveira

A economia brasileira: um rolimã numa ladeira

Historicamente, os liberais são conhecidos por desprezarem dados ou qualquer fator empírico para a formação de uma análise material da realidade. Uma das grandes problemáticas da recessão que se iniciou em 2015, provenientes de medidas de cunho neoliberal e da conjuntura internacional, é a baixa do investimento público e a queda do consumo das famílias.  Diante de tal realidade, os economistas do país são parte do problema e da manutenção desse cenário. Não se trata de esquizofrenia, mas, a clara ideologia em prol das classes dominantes e do mercado financeiro, onde adotam previsões estapafúrdias de crescimento do país, e com políticas em direção oposta: receituário que prioriza cortes de gastos, ajuste fiscal, retirada de renda das famílias, reforma da previdência e privatizações. Não se recupera uma economia como a brasileira com a lógica da tesoura e suas políticas de austeridade.


Nessa semana, morreu um entregador desses aplicativos de entrega de comida em Barcelona, na Espanha. É o retrato do capitalismo neoliberal e a lógica do subemprego, da romantização do que é precário difundida por muitos liberais como empreendedorismo. O subemprego e a desregulamentação dessas vagas, mata, de diversas formas. Trabalhar em cima de uma bicicleta horas ao dia, entregando coisas, vivendo de bico sem nenhuma legislação que regulamente a função e garanta ao explorado o mínimo de humanidade, é criminoso. Trazendo isso para a realidade brasileira e a crítica do texto, temos o Ifood, como um dos maiores empregadores do país, atualmente, imbuídos da lógica de precarização presente no atual estágio da ordem capitalista. A Reforma trabalhista de Temer maximizou tais problemáticas, bem como a Reforma das Previdências não resolverá a questão fiscal do país.


É evidente que o Lulismo melhorou a vida da maioria da população brasileira. Inúmeras famílias saíram da zona de miséria, muitos ascenderam a classe média, houve uma expansão do crédito para empreendimentos, taxas baixas para compra de casas, IPI zero pra compras de veículos. Contudo, a ascensão de muito dessas pessoas sem uma formação política que permitisse o entendimento de que o vetor da melhora da vida delas eram as políticas públicas desempenhadas pelo Estado Brasileiro, colaborou para a crença de que a qualidade de vida caiu e tudo se perdeu devido a corrupção/roubalheira e não da adoção de medidas equivocadas e tipicamente neoliberais a partir de Dilma II. Além disso, as igrejas neopentecostais também se valeram da ascensão para fazer com que boa parte de seus fiéis acreditassem que melhoraram devido ao divino e não, as políticas públicas protagonizadas pelo Estado. Obviamente, o erro não pode ser repetido, o processo democrático ainda que dentro de uma percepção burguesa, não pode se resumir ao voto.


Um governo minimamente comprometido com o desenvolvimento brasileiro (o que não é o caso) estaria buscando medidas ao menos de caráter Keynesiano e de proteção do país: revogação da PEC 55, controlar a saída de capitais, tributação de cunho progressivo, programa de moradia e saneamento, controle estatal da Petrobras, recuperação da segurança jurídica que a Lava Jato destruiu, trazer os bancos públicos para a sua função social de ter políticas de juros mais baixos, programa que viabilize trazer consumo para os lares brasileiros, como o que foi proposto por Haddad e Ciro, tendo em vista que há 63 milhões de inadimplentes, não podendo consumir. Não há comunismo nas medidas acima.


Enquanto o receituário neoliberal prosperar, o país se afundará no caos econômico que implicará na desigualdade, na violência e potencializará a concentração de renda. A barbárie é aqui.



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