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A Ditadura roubou o Vasco



A ditadura roubou o Vasco. E usou um batalhão de choque para evitar que o clube pudesse reaver seu bem. 


Tudo começou na década de 1950 quando, já livres das dívidas que constituíram para a construção de São Januário, os vascaínos conseguiram comprar dois terrenos e a concessão de outro para a construção de novas sedes administrativa, náutica e social. Na mesma década de 1950, o Vasco inaugurou sua nova sede náutica na Lagoa Rodrigo de Freitas, na década seguinte construiu em terreno concedido a sede social do Calabouço, às margens da Baía de Guanabara.


Por conta destas empreitadas, o clube adiou o sonho de ter uma grande sede administrativa no terreno adquirido da Avenida Presidente Vargas. O grande patrimônio vascaíno ocupava um quarteirão entre a avenida e as ruas dos Andradas, Uruguaiana e Senhor dos Passos, perfazendo 450 metros quadrados valiosíssimos no coração do centro da cidade do Rio de Janeiro. Sim, aquele terreno que posteriormente deu lugar ao Camelódromo da Uruguaiana era do Vasco! Foi comprado com o suor e o sangue da nossa gente em cotizações, eventos, campanhas de arrecadação, "livros de ouro", etc.


O vascaíno tem que saber: a ditadura nos tomou um valioso patrimônio na mão grande!

Em 22 de julho de 1973, escoltados pelo batalhão de choque da PM e autorizados pela Procuradoria Geral do Estado, o patrimônio do Vasco foi tomado à força pela Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro, presidida pelo General Milton Gonçalves. Ao arrepio dos direitos dos vascaínos e do clube, a empresa - presidida por um militar de confiança do ditador Emílio Médici - ocupou o terreno de forma ilegítima e sorrateira.


O terreno que equivalia a dois passes e meio do atacante Tostão, adquirido a peso de ouro logo após ter sido tricampeão como titular na copa de 1970, foi ocupado pelos militares e funcionários da empresa enquanto a direção do Vasco nada sabia. Horas depois a informação chegou a São Januário e, tardiamente, os dirigentes vascaínos compareceram ao local para reivindicar seus direitos, logo após mais policiais e viaturas apareceram no local para demover os dirigentes vascaínos de convocar grande contingente de sócios e torcedores. 


O clube chegou a entrar com uma ação indenizatória pela desapropriação, porém nunca recebeu um tostão pelo que nós chamamos de roubo.


30 anos depois, já em regime democrático, o Vasco recebeu a concessão do terreno na Washington Luiz, em Duque de Caxias, como suposta compensação por este crime.


Por Thiago Mantuano, Doutorando em História.


Link sobre a reportagem da época do Jornal do Brasil sobre o ocorrido:


http://www.netvasco.com.br/news/noticias16/arquivos/20110722jb1973vascometro.jpg





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