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A Arquibancada torce contra.

Foi no dia 31/03, domingo, que o elenco do Vasco deixou de ser eficaz, para se tornar um sério candidato ao rebaixamento.


Até então, vibrávamos, claro que dentro de nossas evidentes limitações, mas vibrávamos. A zaga tinha uma consistência que não havia sido apresentada na temporada anterior, as laterais subiram de patamar e passaram a ser eficientes armas para o ataque. No meio, Lucas Mineiro era ovacionado e Bruno César vinha crescendo.


Só carecíamos de uma vaga na cabeça de área, dado a evidente queda de qualidade de Andrey. No ataque, Maxi imperava em 2018, mas não emagreceu e não apresentou um futebol convincente neste ano. Deu lugar a Tiago Reis, que veio da base para fazer 4 gols em 4 jogos (início superior a dos melhores atacantes que o Vasco já teve). Pena que de nada vale. Nada vale, pois a arquibancada esquece qualquer racionalidade para tecer as mais impensáveis críticas. Ao empatarmos com um rival com o time B, que é mais caro e que faria frente a maior parte dos time do brasileirão, deixamos de ser merecedores de qualquer elogio. Afinal, perder para o arquirrival é mais amargo que a morte. Somos abandonados por qualquer tipo de razão e nos tornamos apenas apaixonados.


Hoje, a torcida treme ao saber que o Athletico (é assim que se escreve?) será nosso primeiro adversário na guerra do Brasileirão. No entanto, se analisarmos posição a posição, notamos ao menos uma paridade entre os elencos. “Mas é na casa deles” ou “Ganharam do Boca juniors pela Libertadores de 3 a 0”, diria algum incauto. Retruco lembrando que a beleza do futebol é o distanciamento do lógico, da matemática. Lembro-me, por exemplo, que nosso último encontro com o Ajax resultou em vitória cruzmaltina. Da mesma maneira, o Real foi derrotado pelos holandeses. Isso significa que temos maior qualidade que o time merengue? Há tempos, muito me incomoda a torcida vascaína que elege heróis para seu hall de incriticáveis e relega jogadores em plena formação ao ostracismo. Matheus Vital, uma dessas vítimas, sofria, nos seus últimos jogos, com as vaias provenientes da arquibancada. Paradoxalmente, quando fora vendido virou um gigante do futebol nacional.


Dessa forma entendemos quão ingrata é a posição do cartola em São Januário. Tal qual um equilibrista, deve, com a mão esquerda, equilibrar as dívidas de um clube que sofreu por anos de administrações irresponsáveis. Na mão direita, deve sustentar a arquibancada que, em qualquer mínimo deslize, desqualifica todo e qualquer trabalho realizado. Veja, o objetivo deste texto não é pedir pensamento crítico. Afinal qual a explicação de uma torcida amontoada em um calor infernal para ver 11 jogadores em campo, senão o amor.


No entanto, é necessário entender que um caminho está sendo trilhado e estamos, no momento, apresentando resultados demasiado superiores aos da temporada passada. Vamos torcer, vaiar, vibrar, mas entender que este é um ano de recuperação e que teremos dias bem mais tranquilos que os de 2018. Apesar da política brasileira...


Por Guto Correia, Jornalista.

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